sábado, 7 de setembro de 2019

A PRODUÇÃO LITERÁRIA NA CIDADE DE DEUS E SUAS MEMÓRIAS HISTÓRICAS




Sobre Museus


Estudos sobre museus indicam que a sua origem decorre do ato de colecionar, motivado pelo desejo da humanidade fixar materialmente o passado para a melhor compreender o presente.

Museologia Contemporânea 


Com a Nova Museologia (meados do século XX), os museus passam a desenvolver ações de caráter político e social que implicam na forma de exprimir a realidade das comunidades representadas, atribuindo-lhes o poder de escolha e seleção sobre que coisas as representam.

A Libertação de Memorias Históricas com Produção Literária


Em 2016 a FLUP PENSA (Festa Literária Internacional das Periferias + Formação de novos escritores) realiza uma edição na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O mote, produzir em HQ (Histórias em Quadrinhos) um livro com narrativas de moradores locais com memórias retratando no livro uma linha de tempo desde o mito de ocupação nos idos de 1966 até seus dias atuais para celebrar seus cinquenta anos de fundação.
Na ocasião é feito simultaneamente uma exposição em painéis com parte das histórias escolhidas junto com fotografias antigas pertencente ao acervo de memórias da Casa de Cultura Cidade de Deus, organização civil que tem como missão contribuir por meio de ações desta natureza a transformação do lugar.
Tal coleção está sendo objeto de planejamento para a realização de uma exposição com pré lançamento previsto para 29 de Setembro e lançamento aberto ao público à partir de Outubro na Casa de Cultura Cidade de Deus.

Além da EXPO MEMORIAL CDD – Lutas, Conquistas, Desafios e Inovações em HQ, teremos rodas de conversa sobre a produção literária dos moradores e ex-moradores da comunidade compondo o que poderá vir a ser o Circuito CdD de Literatura.




sexta-feira, 5 de julho de 2019

ENTRE "TEMPORAIS & "ABISMOS: A PASSAGEM PARA O TERCEIRO LIVRO


DESEJOS PASSADOS E PRESENTES
E o futuro? A nós pertence!

Wellington de Moraes França

"Enquanto os outros não chegam, vamos chegando. Esse momento será especial, pois será o encontro das experiencias de campo narradas como poeta, idealizador do GRUPO CULTURAL PROJETO e da REVISTA NÓS. Autor de TEMPORAIS - 2010 e ABISMOS - Esquina Editorial - 2019. Pesquisador sobre Teatro do Invisível,  gestor em organizações não governamentais. As mesas virtuais ou presenciais aqui mediadas por todos e todas que assim o quiserem. E o tema (simbólico, talvez, somente meu, quem sabe), será Estética das centralidades periféricas nas palavras, imagens e gestos. Cada um com seu trabalho e expertise. Temos muitos lugares. Da literatura artística às artes marciais. Narrativas que traçam via cruces e liberdade, levaremos para nossas moradas um pouquinho da invenção desses processos:
O INVENTO: Sarau Poesia de Esquina na Cidade de Deus - O QUE PROVOCOU O TRABALHO, Lançamento do livro de poemas TEMPORAIS."

O recorte na introdução é um exercício ficcional, uma janela para reflexão sobre o trajeto entre os lançamentos de: "TEMPORAIS" (2010); Sarau Poesia de Esquina (2011) e o lançamento de "ABISMOS" - (2019).

AS FERRAMENTAS DO SARAU
  • Redes sociais
  • Fanzine
  • Poemas
  • Um bar com equipamento de som, e depois 
  • uma caixa de som amplificada (comprada pela Viviane de Sales com suas economias pós viagem aos Estados Unidos. Caixa carregada, ora com dor, ora alma, nos ombros, mas no peito, esperança.
Evento comemorativo de cinco anos de lançamento do sarau Poesia de Esquina - 2016.

 PARCERIAS QUE CONTRIBUÍRAM: 

Tanto para o lançamento de TEMPORAIS quanto para POESIA DE ESQUINA foram muitos amigos. 

Amigos poetas, artistas e músicos, cineastas (destaque em memória ao Julio Peckly) Produtores culturais da comunidade e de outros territórios; empreendedores e várias ONGs de base comunitária na Cidade de Deus.


DESAFIOS PÓS "TEMPORAIS" AO POESIA DE ESQUINA em 2011

  • Criar uma produtora de eventos
  • Participar de editais e inscrever projetos nas leis de incentivo
  • Lançar livros dos poetas frequentadores do Sarau do POESIA DE ESQUINA

O projeto para criar uma produtora de eventos ficou num arquivo temporário perto da pasta de reciclagem de meu notebook, mas a Super Vivi de Sales criou a Esquina Editorial 

Lançamento de "Abismos" Editora & Autor -2019

"E o que mudou em sua maneira de se colocar diante da vida?" perguntou certa vez Luma Ciro num exercício preparatório para uma mesa na Universidade das Quebradas, sobre a cena literária carioca quando estávamos no auge do sarau Poesia de Esquina.

Sempre fui um ativista radical. Consigo agora ver as pessoas com maior atenção e cuidado (vez em quando tropeço, claro, sou humano, não sou perfeito nem feito de ferro).

O Sarau Poesia de Esquina demonstra que até podemos ser objeto de estudo de pesquisa acadêmica. Mas que sempre seremos cada vez mais protagonistas de nossa própria história e das mudanças que realizamos, tentando de um jeito divertido e com muito mais suavidade.

 A proposta é expandir a discussão para que todos voltem aos seus campos, de pesquisa e trabalho, com vontade de continuar inventando novos caminhos.

Com essa postura, mas sem fazer alarde, fui me aninhando na Casa de Cultura. Fui acolhido sem as frescuras da formalidade burguesa que muitas vezes repetimos sem saber ou perceber, que não são nossas. Acabo então mergulhado em atas, estatutos, editais e atos formais.

Café Literário na Casa de Cultura Cidade de Deus

Crio raízes se preciso arejar a terra. Por vezes inclino-me como bambu diante das tempestades para voltar renovado refletindo sobre a vida que vem e vai.

E de quando em vez, corto as raízes para voltar a navegar como navegam nossos ancestrais dos brasis antes do Brasil das cruzes e Cruzes. Navegando com as águas doces dos lagos e rios. Ou entre as misteriosas e costeiras ondas atlânticas.

Curto trem desde a infância. Mas sempre que entro num, acabo tomado pelo poder de estar na locomotiva. Nunca me foi dado o prazer de ser simples passageiro, que entra e sai, como simples viajante, que quando está pode se dar o luxo de olhar a paisagem como se estivesse sempre em velocidade de cruzeiro. Se ficar parado, em mim colidem. Se seguir sem ver sinais, atropelo amputando vidas. Breca-se repentino, descarrilha. Se pulo fora e ninguém assume... talvez, só talvez, o mundo se transforme.

Tenho tanto respeito por velhos como eu que planta tâmaras ainda que não tenha existência para colhê-las, quanto por quem tem fome de tudo e de fé e venhamos e convenhamos, plantar com fome, só monges do Tibe.
Não me importo se com quem prefere repetir as verdades dos outros. Quanto a mim, vou tentando aprender fazer pão e parti-los e reparti-los, não com lâminas frias de espadas, mas sim, com mãos calejadas As mãos quentes de quem trabalha.

Na dúvida, volto para meu solitário barquinho à remo. Mas se quiserem, tem mais remos e lugar.

TERCEIRO LIVRO

Penso que seria prematuro anunciar detalhes do próximo livro. No entanto, aprecio registrar alguns comentários.
O primeiro livro, "Temporais" tem aspectos que se aproximam parcialmente de uma autobiografia. Recortam algumas de minhas experiencias de vida da infância à maturidade. O título faz referência à enchente de 1996 que me transborda de Vigário Geral para a Cidade de Deus. O título do segundo, "Abismos" nos remete aos seres de luz própria que vivem no fundo das fendas dos oceanos. Uma metáfora aos que sobrevivem nos submundos das noites nos subúrbios e favelas cariocas.
O terceiro livro continuará com poemas que contam histórias ou reflexões exercitando comparações e paralelos na vida com os movimentos cósmicos.


quinta-feira, 20 de junho de 2019

ECONOMIA CRIATIVA & SOLIDÁRIA - Um estudo de Caso


ECONOMIA SOLIDÁRIA E CRIATIVA APLICADA 


Da Revista Nós nos anos setenta à ABISMOS, 2019.

Pode ser um equivoco afirmar que economia criativa e solidária sejam duas faces de uma mesma moeda, ainda mais complicado acreditar que sejam sinônimos.
Cada uma delas tem origens e motes distintos e em alguns pontos pode-se até encontrar indícios de algumas contradições.
Igualmente equivocada a tendência de alguns setores da economia solidária, senão a maioria, radicalizar e excluir alguns princípios básicos da economia criativa.
Assim como também, observo que se a galera que promove a economia criativa não inclui em seus fundamentos a economia solidária, corre o risco de morrer na praia.
Um bom exemplo de uma ação positiva da economia criativa é o reconhecimento e incentivo à pratica de criar sinapses sociais, ou seja, numa reunião entre pessoas que não se conhecem alguém estimular que cada um se apresente com suas experiências profissionais ou de vida de tal forma que desperte o interesse de trocarem informações entre si formando rede criando espontaneamente.
Venho trabalhando na perspectiva de que podemos sim produzir o desenvolvimento coletivo sem abrir mão da promoção do valor individual de cada agente deste processo, seja na sua expertise, seja na sua capacidade de articulação estratégica de produção em escala a curto, médio e longo prazo.
Assim foi nos anos setenta e oitenta com o movimento cultural promovido pela REVISTA NÓS (da Cidade de Deus, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro) e posteriormente com o lançamento de meu primeiro livro autoral, TEMPORAIS pela CBJE em outubro de 2010 e que finalmente serviu de start para o Movimento Poesia de Esquina do qual resulta a criação da Esquina Editorial e a partir dela uma significativa produção editorial: a Coletânea com textos de poetas frequentadores do Sarau de mesmo nome, do livro: OS SENTIDOS de Edson Veoca; A VIDA É UM POEMA de Anahiyde Muniz (Dona Tuca) e ABISMOS de minha autoria.
Nas três ações apresentadas tivemos a aplicação de princípios da economia criativa e solidária.




domingo, 19 de maio de 2019

OS CAMPOS DE PESQUISA PARA A ESCRITA DE ABISMOS


Uma metrópole vista do alto assemelha-se grande oceano de concreto, aço, vidro e e asfalto.
Entre seus prédios, fendas abissais.



Abismos nos quais residem seres de luz própria porém escondidas entres seus próprios dejetos  e desejos.
O campo de pesquisa para escrever e desenvolver os poemas do livro Abismos foi o complexo conjunto das periferias urbanas do Rio e Grande Rio. Mais que circular entre becos do Centro e vielas das favelas, fui permanecer em seus, talvez, mais democráticos centros de concentração humana para escutar músicas como DJ anônimo, afinar ou desatinar cantigas nos videoskês, levar um papo trivial à mesa ou acotovelado nos balcões. Vez por outro curtindo uma meia porção de carne assada mas sempre degustando a cerveja de minha marca predileta. Homens em volta de uma ou duas mesas repletas de litrões de badaladas marcas, exibem suas protuberâncias abdominais avantajadas que preferem apelidar de excesso de gostosuras, camisas ao ombro de peito nu devoram com olhos e gestos mulheres que usam e abusam de seus talentos sedutores na voz, no corpo e no ato de caminhar ou dançar.Cães entram com desenvoltura. Esculachados ou afagados, sempre voltam. Homens, mulheres e crianças que dormem sob marquises ou bancos da praça, catam guimbas de cigarro o crac, pedem para clientes pagarem croquetes. Eventualmente pegam encomendas de produtos exclusivos das “bocas”. A prostituição, as vezes ocasional, às vezes permanente.
Um poeta quase sempre solitário, descreve as entrelinhas das almas expostas nestes bares cosmopolitas em papel que embalam pacotes de cigarro.
Estes locais que podem deixar o inferno de Dante no Chinelo, tem seres de luz própria e muita oração poética que liberta.

domingo, 12 de maio de 2019

NOMEAÇÃO POPULAR DE LOGRADOUROS E MICRO REGIÕES DA CIDADE DE DEUS.


DICIONÁRIO DE NOMES RUAS, PRAÇAS E TRAVESSAS DA CDD
OU
NOMEAÇÃO POPULAR DE LOGRADOUROS
E MICRO REGIÕES DA CIDADE DE DEUS.

Pesquisa e Organização: Wellington de Moraes França


Seria um modo de apropriação simbólica dos territórios ou uma demonstração de pertencimento e poder?

A Nomeação de Logradouros como Processo Poético e de Apropriação do Território ou Nomeação popular ou ainda uma ressignificação simbólica e identitária de territórios e locais de referencia e localização de logradouros à revelia dos critérios estabelecidos pela prefeitura local vem sendo objeto de curiosidade popular local e em alguns casos de interesse acadêmico.
Movido por este fenômeno rico de processo poético resolvi inclui-lo no que chamo provisoriamente de uma pesquisa participativa e popular para a criação de um acervo de bens patrimoniais culturais materiais e imateriais da CDD.
A Cidade de Deus revela indícios de um fenômeno social de formação de várias identidades culturais que vem se transformando e ao mesmo tempo se consolidando em mais de cinco décadas de ocupação. 
Apesar ou além dos nomes determinados pela prefeitura surgem e se fixam e se transformam nomes próprios para lugares dentro da comunidade que revelam tendências; historias; preferências culturais; fatos sociais ou pessoas marcantes. 
Exemplos: Comunidade do Pantanal; Karate; Bariri; Laminha; Tijolinhos; Área da Treze; Barro Vermelho; Tangará; Praça Seca; Casinhas; Rocinha II; Praça dos Garimpeiros; Praça do Seu Dantas; Sítio do Coronel, Praça das 17 arvores; Esquina de Londres,  dentre outros.



Também entidades, prédios como referencia de localização e eventos sociais com microseguimentações, algumas extintas, outras resistindo ao tempo ou com adaptações:
Festa do Dia do Trabalhador com várias atrações; Desfiles carnavalescos e desfiles cívicos; Pagode do Bar da Ritinha; Botequim do Charme do Bar do Bill; Forró do Perereca, Forró do Celso (Rocinha II); Comunidade de Sambistas (Mocidade Unida; Bloco Coroado; Bloco Luar de Prata; bailes de várias tendências; Grupos de Dança de Rua, Escola de Samba Mocidade Unida Jacarepaguá; Igreja Amarela; Porta do Céu; blocos carnavalescos; festas caipiras tradicionais; Grupos de teatro e literários (Grupo de Teatro Cultural Projeto, Revista literária NÓS; Grupo Teatral Raiz da Liberdade; Movimento Negro Acorda Crioulo; Grupo Aliança Ariri de Capoeira do Mestre Derli, dentre outros grupos; Clubes de Futebol Masculino, feminino e juvenil; Taidokan Karate Clube; Associação Rode de Karate, juntamente com dezenas de ONGs com ações sociais, culturais e desportivas.








DICIONÁRIO POPULAR DOS LUGARES DA CDD

TRIAGENS -  São quadras onde se encontram habitações nomeadas originalmente pela COHAB – assim chamadas para caracterizar a condição de “provisórias”. Localizam-se em vários pontos no conjunto habitacional, conjunto este, o das casas, com arquitetura original sendo pequenas casas em centro de terreno e cobertura de telhas francesas. As triagens são formadas por grandes vagões com varias pequenas habitações de apenas dois cômodos cada divididas por uma simples parede de alvenaria e coberturas de telhas de amianto. Foram ao logo das décadas sendo mantidas e identificadas com seus números originais: triagens da 13, 163 e 169.

E por que quadras e números e não nomes próprios?

(logo no inicio das ocupações os endereços dos imóveis eram identificados conforme uma nomenclatura especifica da engenharia civil ou uma corruptela para a designação técnica que define como quarteirão ou Quadrilóbulo - Nomenclatura para blocos de edifícios limitados por quatro ruas - muito embora, modernamente, a “quadra” é mais conhecida como áreas de esporte e lazer dentro das praças e condomínios, conjuntos habitacionais e clubes).
A Praça do 15 fica na Área do Lazer. Única que não acompanha o padrão de ser próxima da quadra de mesmo número. Na segunda metade de 2018 a geopolítica se apresenta com nova configuração à saber:
Área do 15 delimitada entre Rua Josias, Avenida Rio Grande, Prezuic e Av Marechal Miguel Salazar Mendes de Moraes. O “Lazer” se identifica desde então como o conjunto de duas quadras desportivas, uma de futebol e outra polivalente (vôlei, basquete) e seu entorno.

AP - Apartamentos
AP 1 (antes Conj Gabinal e Margarida)
AP2 (antes, conjunto da PM – projeto para moradia originalmente aos servidores desta corporação porém já não mais existindo como tal)
AP3 – Conj Itamar Franco  



Bruk região originalmente conhecida como Pantanal ( I e II) 
Barro Vermelho (atual Bariri). Antes do asfaltamento e da ocupação de parte do território que hoje é tido com Morrinho, o barranco exposto na encosta que faz limite com o condomínio Bairro Araújo era de uma argila de cor avermelhada. 
 Karatê - Existem dois antigos relatos:  a. Histórico de recorrentes conflitos entre vizinhos. b. Local de domicílio ou de onde presumi-se, partiam jovens e adolescentes para realizarem arrastões nos bairros vizinhos usando golpes supostamente semelhantes às técnicas das Artes Marciais. Uma terceira versão é a de que naquela região ou proximidades morava ou ensinava Karate.
Notas: Um dos primeiros mestres de karate que morou na Cidade de Deus se tem notícia, era conhecido como Verdugo. Há relatos de que ensinava  na Barra da Tijuca. Um segundo mestre, ensinava Karate no Centro Social Urbano, Professor Sergio Pinto que alem de um dos pioneiros desta arte foi também o fundador do Bloco da Lata. Entidade carnavalesca ao contrário do que se possa imaginar ter sido fruto de uma expressão espontânea era por ele muito bem organizado. nos apartamentos da Gabinal. Um terceiro, Professor Marcos. Na segunda geração de mestres desta modalidade que se estabeleceram na Cidade de Deus foram: Sensei Wellington (nas casas) e Sensei Luiz Pessanha (nos apartamentos).

Rocinha 2  
Casinhas Novas (2005 / 2006) atualmente mais recorrente como apenas “Casinhas”

Tangará: um morador e proprietário de uma birosca naquela área afirma ter sido ele o autor que cunhou o nome do lugar. Diz que testemunhou os primeiros movimentos de ocupação. Os homens passavam em romaria com foices, picaretas, pás e enxadas sobre os ombros. Uma vez comentou com seus fregueses no balcão: “Olha só! Até parece o povo de Tangará!”. Na época estava em cartaz a novela da Globo, O Salvador da Pátria. Esta novela faz referencia à duas cidades fictícias, uma delas Tangará. O tema de abertura da novela retratava o movimento dos operários entre as cidades.

Ap da PM ( mesmo que AP2)  Condomínio localizado no Final da Rua Pintor Leandro Joaquim originalmente construído para atender servidores daquela corporação. Atualmente, uma parcela dos moradores não se reconhece como parte da Cidade de Deus. Atribui-se também a troca do nome de “AP DA PM” para AP2 .
Bruk – abreviação  decorrente de corruptela da palavra Brooklin. Trata-se de uma comparação com um  bairro nos EUA, homenagem ou comparação e por  ser uma região perigosa e dominada por facções criminosas.
Pantanal: região que assemelhava-se a um pântano.
Praça da Loira. Praça onde se localiza a casa de uma senhora que vendia gás de cozinha. Carla Ciccos, do CddAcontece comenta sobre uma matéria que fez com o neto desta senhora que formou-se nos Estados Unidos ( também identificada como da família Digenari).

Area do Lazer: tradicionalmente um dos principais pontos de lazer da comunidade e prática esportiva. Constitui-se principalmente de uma quadra poliesportiva (baskete, vôlei e fut sal) e o campo de futebol. Originalmente projetada como praça. Seu nome oficial, Praça Ageu. Endereço também da Paróquia Pai Eterno e São José, primeira igreja católica apostólica romana fundada pelo Pe. holandez Juio Grotten. 

Laminha. Região próxima da praça onde era sede do Bloco Carnavalesco (já extinto) Luar de Prata. Área com grande incidência de entupimento dos esgotos e muita lama nas ruas e travessas.

Praça da Fé ( pesquisa em andamento).

Praça do Cidinho. (onde se localiza a residência do Mc Cidinho da dupla Cidinho & Doca).

Praça do “Rala Coco” Acredita-se que o terreno baldio era reservado para o estacionamento das professoras da Escola Augusto Magno. Pavimentado com um asfalto rústico, era usado pela molecada para suas partidas de “pelada” conta o Escritor Edson Veoca que morava ali perto. Devido ao asfalto as crianças sempre que caiam ralavam o corpo e principalmente o “coco” ou seja, a cabeça. Posteriormente com a reforma do Jardim de Infância Monsenhor Cordiolli, a área em frente ganhou bancos. Permanece conhecida como a Praça do Rala Coco.

“Esquina de Londres”, nome dado à esquina entre as Ruas Josias e Jesse, foi cunhado pelo Cidinho Doca. Cidinho criou o bloco de Clovis “Os Cara Feia” para saídas no Carnaval nos anos noventa como uma alegoria em resposta bem humorada aos dois outros grupos de Clovis luxuosos que partiam  respectivamente do Lazer e da 69 sempre com grande queima de fogos. A  saída do bloco Caras Feia era da esquina entre rua Jesse e Josias, o nome escolhido pelo Cidinho por razões ainda não esclarecidas,  foi adotado pela comunidade. O “Cara Feia” extinto, era formado com fantasias pobres e desfilava somente pela CDD. Conta Ismael, dono do Theiler ao lado da Associação de Moradores: “ Anos noventa ,no carnaval, dois blocos de Clovis com fantasias luxuosas saiam da CDD para desfilarem em outros lugares: Os brabo partiam de um ponto perto do CRJ ( Centro de Referência da Juventude – originalmente Fundação Leao XIII, depois Casa da Paz) .Os “Abusado” assim mesmo no singular, partiam da  Quadra 69 e ainda hoje saem da quadra do Botafogo no Karate. Faziam uma queima de fogos para marcar a concentração e a saída. O Cidinho então resolveu criar o bloco dos “Caras Feia” Um tipo de Clovis de pobre com adereços, mascaras e fantasias pobres e improvisadas; o ponto de partida era na esquina da Rua Josias com a Jessé, batizado por Cidinho como a Esquina de Londres.

Tijolinhos ( I e II) - Uma das últimas tentativas do estado responder as reivindicações locais por uma melhor condição de vida aos habitantes das triagens resultou numa arquitetura premiada. Nomeada pela população por sua aparência.
Tijolinho I ( próximo da saída da linha amarela (foto)



Tijolinho II, na “Laminha” localizado no interior da área das casas.

Praça Seca (Seu nome oficial na CDD: Habor)

Praça dos Garimpeiros ( Oficial: Praça dos Profetas).

Praça do Seu Dantas (Oficial: Magadã) 

Sítio do Coronel

Praça das 23 Árvores

Praça do Galo

Comunidade Guarani Av.Comandante Guaranys é a rua onde estão estabelecidas a Farmanguinhos, Eletromar  e da antiga Cera Jhonson, atualmente   GB logística. Também via de acesso ao Jardim do Amanhã. Estende-se  até a Av Ayrton Senna  e saída para linha amarela. Nas suas laterais localiza-se a comunidade Vila da Conquista e recentemente a ocupação Guaranys ( contribuição de Magali Portela).







segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Movimento de poetas da Cidade de Deus ganha coletânea
Viviane de Sales

O movimento cultural da Poesia de Esquina, criado em 2011 na Cidade de Deus, bairro da zona oeste carioca,  a partir da realização de saraus em bares e de encontros literários em escolas públicas, lança sua primeira coletânea. Organizado pela antropóloga e editora Viviane Salles, o livro reúne textos inéditos de 38 poetas e será lançado na quinta  24/01, a partir das 18h,  no Café Literário da Casa de Cultura da Cidade de Deus.

domingo, 5 de agosto de 2018

Poesia de Esquina, verbete das favelas. Por que Sim?




Uma das poucas e pioneiras fronteiras da resistência local de ocupação de espaços públicos com arte, o movimento literário que começa com um sarau em 2011 faz escola. Recebe e transmite influências de outros territórios e se desdobra em festivais como o da FLUP em 2016 na Cidade de Deus e na segunda edição do Festival Juventude na Favela em 2018, caminha agora para tornar-se mais um verbete no Dicionário Carioca das Favelas.

"Poesia de Esquina – Movimento literário das periferias que da Cidade Deus influencia na origem e no conceito iniciativas com novas centralidades urbanas na cena literária carioca e fluminense.  Termo que além de dar uma identidade própria ao processo de produção cultural na e a partir da Cidade de Deus é também um conceito de fazer e falar poesia com ênfase no microfone aberto. Fundado em novembro de 2011 tem como mote e referência o lançamento do livro de poemas TEMPORAIS de Wellington França, em outubro de 2010.
  Com plena condição de uma narrativa própria, fenômeno que se desdobra e navega em múltiplas plataformas – do zine “Palavra Solta” – outrora “Pensamento Livre”, à caixototeca no bar; Poesia de Esquina Itinerante; SPEDE nas escolas. Editora de novos e velhos autores, o movimento acumula expertise em libertação de livros, oficinas literárias em captação de recursos via editais e financiamento coletivo."

Este movimento tem legitimidade de reivindicar pra si a condição de ser conceituado também como mais um verbete da Cidade de Deus, quiçá de todas as periferias cariocas. 

domingo, 29 de julho de 2018

Conexões



A Paz na Vida só florescerá em toda sua plenitude quando no caminho da harmonia entre o individuo e o coletivo nascer o desapego do poder pelo poder. Mas como acreditar nessa utopia se está no DNA da humanidade o código das guerras?

Humanidade lembra também manos. E manos e manas também brigam tanto quanto confraternizam!

Mas será mesmo que o caminho da fraternidade está um nível acima da solidariedade? Ou será que a solidariedade é apenas uma das colunas que sustenta a nova estrutura que virá?

Enquanto construímos os navios e buscamos as resposta vamos revelando os abismos e abrindo novas pontes e portas.

Evoé! Axé! Amém! Aleluia!

sábado, 30 de dezembro de 2017

O Anacoreta

Nano Sarau


Reverso

Anacoreta


Um encontro inusitado de dois poetas e um extraordinário feito flagrado por minha câmara tipo Bombril.

O Poeta e amigo Anacoreta faz a primeira declamação pública de sua vida num bar da Cidade Deus, codinome CDD: Seu poema, inédito, Reverso faz  homenagem “aos que partiram desta para uma vida melhor”. Com a palavra, o artista.

domingo, 24 de dezembro de 2017

DESEJOS PASSADOS E PRESENTES

E o futuro? A nós pertence!

Vou me apresentando para o ENCONTRO com 2018. Esse momento será especial, pois será o encontro das experiencias de campo narradas como poeta, idealizador do GRUPO CULTURAL PROJETO e da REVISTA NÓS. Pesquisador sobre Teatro do Invisível,  gestor em organizações não governamentais do COMOCIDE ao CEACC. Do TAIDOKAN à AMGS e pesquisa atuais sobre memórias e patrimônios culturais. As mesas virtuais ou presenciais serão mediadas por todos e todas que assim o quiserem. E o tema (simbólico, talvez, somente meu, quem sabe), será Estética das centralidades periféricas nas palavras, imagens e gestos. Cada um com seu trabalho e expertise. Temos muitos lugares. Da literatura artística às artes marciais. Narrativas que traçam via crucis e liberdade, levaremos para nossas moradas um pouquinho da invenção desses processos.


OS INVENTOS 

Sarau Poesia de Esquina na Cidade de Deus - O QUE PROVOCOU O TRABALHO, Lançamento do meu primeiro livro solo de poemas TEMPORAIS em outubro de 2010.

AS FERRAMENTAS
Redes sociais
Fanzine
Poemas

Um bar com equipamento de som, depois um som carregado nos ombros, ora com dor, ora alma, mas no peito, esperança.

 PRIMEIRAS PARCERIAS 

amigos poetas, artistas e músicos, cineastas (caramba, quanta saudade tenho de meu amigo Julio Peckly! E de seu amigo do peito e irmão camarada Paulo Silva!) e produtores culturais da comunidade e de outros territórios; empreendedores e duas ONGs ASVI e CASA DE CULTURA CIDADE DE DEUS.


DESAFIOS

Criar uma produtora de eventos
Participar de editais e inscrever projetos nas leis de incentivo
Lançar um livro de um dos autores do PDE CDD (pelo menos um  anual)
Lançamento do segundo livro  ABISMO



E o que mudou em sua maneira de se colocar diante da vida? (perguntou Luma Ciro)
Sempre fui um ativista radical. Consigo agora ver as pessoas com maior atenção e cuidado (vez em quando tropeço, claro, sou humano, não sou perfeito nem feito de ferro).

O Sarau Poesia de Esquina demonstra que até podemos ser objeto de estudo de pesquisa acadêmica. Mas que sempre seremos cada vez mais protagonistas de nossa propria história e das mudanças que realizamos, tentando de um jeito divertido e com muito mais suavidade.


A proposta é expandir a discussão para que todos voltem aos seus campos, de pesquisa e trabalho, com vontade de continuar inventando novos caminhos.
Com essa postura, mas sem fazer alarde, fui me aninhando na Casa de Cultura. Fui acolhido sem as frescuras da formalidade burguesa que muitas vezes repetimos sem saber ou perceber, que não são nossas. Acabo então mergulhado em atas, estatutos, editais e atos formais.

Crio raízes se preciso arejar a terra. Por vezes inclino-me como bambu diante das tempestades para voltar renovado refletindo sobre a vida que vem e vai.
E de quando em vez, corto as raízes para voltar a navegar como navegam nossos ancestrais dos brasis antes do Brasil das cruzes e Cruzes. Navegando com as águas doces dos lagos e rios. Ou entre as misteriosas e costeiras ondas atlânticas.

Curto trem desde a infância. Mas sempre que entro num acabo tomado pelo poder de estar na locomotiva. Nunca me foi dado o prazer de ser simples passageiro, que entra e sai, como simples viajante, que quando está pode se dar o luxo de olhar a paisagem como se estivesse sempre em velocidade de cruzeiro. Se ficar parado, em mim colidem. Se seguir sem ver sinais, atropelo amputando vidas. Breca-se repentino, descarrilha. Se pulo fora e ninguém assume... talvez, só talvez, o mundo se transforme.

Tenho tanto respeito por velhos como eu que planta tâmaras ainda que não tenha existência para colhê-las, quanto por quem tem fome de tudo e de fé e venhamos e convenhamos, plantar com fome, só monges do Tibete.




Não me importo se você prefere repetir as verdades dos outros. Quanto a mim, vou tentando aprender fazer pão e parti-los e reparti-los, não com lâminas frias de espadas, mas sim, com mãos calejadas As mãos quentes de quem trabalha.

Na dúvida, volto para meu solitário barquinho à remo. Mas se quiserem, tem mais remos e lugar.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A CDD como Campus de Produção de Conhecimento Cientifico

Vista lateral Praça Pe. Julio Groten e parte da Rua Edgard Werneck.
Fonte: Google Maps


Proposta de Criação do Observatório da CDD

Argumentação que faço baseada nas experiências históricas da Cidade de Deus e recortes sobre concepções contemporâneas protagonizadas pelo Observatório das Favelas sediado no conjunto de comunidades da Maré. 

Desde os anos setenta e mais intensamente nos anos oitenta que os grupos de produção e movimentos culturais e literários criados na Cidade de Deus (com atores intergeracionais dos 14 aos 70 anos) produziam uma agenda que sempre ou quase sempre incluía conscientemente a produção de conhecimento científico numa perspectiva de intervenção cultural em rede e a partir de mapeamentos e diagnósticos próprios ou apropriados de outras fontes e territórios.  Era como se vivêssemos imersos numa grande universidade popular. É possível que esse acumulo tenha influenciado na formação das novas gerações de atores sociais que passam a se instrumentalizar nas assim chamadas organizações não governamentais de base comunitária e que vem constituir em 2003 o Comitê Comunitário da Cidade de Deus e em 2004 a Agencia CDD de Desenvolvimento Local.


A partir de certo momento, alguma lideranças da Cidade de Deus verificam que sua população vinha sendo tratada como objeto de pesquisa científica e com o agravante de que quase sempre descrita muito mais como assistida do que como protagonista de sua própria história. Constatação esta que por si só, parece-me, justificar o reacender olhares juvenis ao ingresso para além das universidades e promoção do feedback tão propagado nas primeiras gerações, ou seja, depois de alcançar a universidade, compartilhar com a comunidade a experiência acadêmica, sem culpa nem obrigação.

Das conexões entre Territórios das Periferias Fluminense & Academias brasileiras e do Exterior

Verifiquei, sobretudo na fase pós UPP + Social interesse das universidades em promover e intensificar intercâmbios com  produções culturais das favelas cariocas. Mesmo antes, cabe lembrar a experiencia da Universidade das Quebradas.
https://www.universidadedasquebradas.com/

Na Cidade de Deus chamo atenção para a recente pesquisa  CONSTRUINDO JUNTOS           
 http://construindojuntos.com/index.php/metodologia/ sobretudo sua metodologia que considero de um grau de excelência que ainda não havia testemunhado in loco em toda minha vivencia na Cidade de Deus.
Importante ressaltar que a coordenadora da pesquisa, socióloga Anjuli Fahlberg, da Northeastern University em Boston e Ricardo Fernandes, professor e coordenador do grupo teatral Os Arteiros, tenham se esforçado para que os jovens participantes da pesquisa de campo em toda a construção do diagnóstico viessem a se apropriar deste conhecimento.
Até meado dos anos oitenta, outrora Colégio José de Alencar, atualmente CVT CDD da FAETEC, foi sede do Conselho de Moradores Cidade de Deus e importantes eventos como por exemplo o I Encontro Popular pela Saúde do Estado do Rio de Janeiro que serviu de base para a criação do SUS.

Observatório da CDD. Uma Utopia Possível?


CASA DE CULTURA CIDADE DE DEUS, UM EXEMPLO A SER ESTUDADO


A Casa de Cultura, desde sua fundação, 2011, coleciona em seu portfólio iniciativas semelhantes ou próximas do que poderia ser uma incubadora, produtora e gestora de projetos que transitam no campo da pesquisa de diagnóstico social; e formação especializados em artes, educação popular, esporte e memória.
Contudo existem muitas outras experiências e iniciativas para serem catalogadas e consideradas como potenciais para o start no devido tempo na construção do Observatório. 

Em 2016 o Comitê Comunitário da Cidade de Deus chegou a contar com a participação de vinte iniciativas organizacionais (grupos, coletivos e pessoas jurídicas de direito privado) de natureza popular e uma pessoa física.

Exemplos de Iniciativas da Casa de Cultura Cidade de Deus:






Para pensar

  1. Poderia a Casa de Cultura Cidade de Deus, aqui citada como exemplo, com o devido aporte de recursos, ter condições de se apropriar desta ideia e colocar sua expertise a serviço da criação do Observatório da CDD?
  2. Estaríamos preparados hoje para que no âmbito das instituições sediadas na CDD de base comunitária formar um grupo de trabalho e estudo de viabilidade para formular e executar um projeto semelhante ao projeto NOVOS SABERES do Observatório das Favelas? 


Acredito que sim. Temos condições de pelo menos amadurecer esta proposta, mas penso ser necessário mais organizações participarem deste debate.